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anajulia.jpganajulia.jpg“No Pará, só temos uma chance: mudar ou mudar. Ou seremos ousados na construção de um novo modelo de desenvolvimento no Estado ou vamos ficar eternamente como periferia”. Com esta declaração durante o “Argumento”, da TV RBA, a governadora Ana Júlia Carepa resumiu a proposta de governo para os próximos quatro anos.

Com o tema “Pará, presente e futuro”, o programa foi ao ar na noite desta segunda-feira (07) - 127 dias depois da nova administração estadual chegar ao poder - momento importante para a chefa do Executivo revelar como recebeu o governo do Estado, prestar contas sobre o que já foi realizado pela sua equipe e quais os projetos em andamento ou em fase de elaboração. A veiculação em tempo real permitiu que a governadora respondesse perguntas dos telespectadores via e-mails ou mensagens de texto.

No início do programa, a governadora enumerou as dificuldades impostas pela herança da administração passada. Ela contou que, ao assumir, não imaginava que a propaganda dos ex-gestores havia sido maior e mais cara que a avaliação preliminar feita na campanha eleitoral, principalmente no que diz respeito à estrutura dos órgãos públicos estaduais.

A Secretaria Estadual de Transportes (Setran), por exemplo, passou 28 anos sem promover concurso público. Outro problema assumido foram os 20 mil temporários que há anos trabalham no governo do Estado.

Na área ambiental, Ana Júlia Carepa citou a irresponsabilidade do governo que não preparou a Secretaria de Meio Ambiente para a transição da gestão florestal, imposta pela Lei de Gestão de Florestas Públicas. “Quase todos os Estados brasileiros têm convênios entre a Secretaria de Meio Ambiente e o Ibama para esta transição na aprovação de projetos de manejo florestal, menos o Pará”, criticou, informando que foi montada uma força-tarefa para avaliar os projetos de manejo e criado o Instituto de Desenvolvimento Florestal (Ideflor).

Ana Júlia informou, também, que já no final do mandato anterior, a sua equipe solicitou auditorias nos órgãos em que os desvios eram mais evidentes. Sete já foram feitas e começam a ser entregues na próxima semana ao Ministério Público do Estado, para cobrança das responsabilidades. A governadora informou que no IASEP foi identificado um rombo de R$ 10 milhões; em um ano, a Organização Social (OS) que administrava o Pólo Joalheiro São José Liberto deixou de repassar R$ 700 mil de INSS; no Igeprev, as irregularidades somam mais de R$ 2 milhões. “Infelizmente, encontramos um Estado muito pior do que esperávamos”, lamentou, lembrando que ainda há o endividamento de R$ 300 milhões a ser pago pelo atual governo. “O nosso governo está sacrificando as políticas públicas que poderiam ser feitas com mais tranqüilidade e de forma mais ampla neste primeiro ano de 2007 para cobrir os rombos”.

Comunicação e PAC

Aproveitando a pergunta do jornalista Mauro Bonna sobre a revista que apresentaria as ações do governo nos seus 113 primeiros dias, a governadora desmentiu o número de exemplares divulgado na imprensa local e nacional e que o valor da produção (R$ 250 mil) tenha sido pago com dinheiro público. “Você me dá uma boa oportunidade para dar o exemplo do péssimo jornalismo que, infelizmente, está acontecendo no país. Não foram impressos 100 mil exemplares da revista e sim pouco mais de seis mil. Esses exemplares continham erros de edição, mas o Estado não pagou nenhum centavo. Muito diferente do que disse a Folha de São Paulo, a própria agência de publicidade reconheceu os erros e assumiu o prejuízo”, reforçou.

Ao ser questionada sobre a prorrogação dos contratos com as agências de publicidade, a governadora observou que o prazo de 120 dias servirá para a preparação da licitação, que terá edital publicado na próxima segunda-feira e ressaltou, ainda, que a sua principal preocupação é ser transparente através de outras ações, que não só a Comunicação, como as plenárias do Planejamento Territorial Participativo (PTP), em todas as regiões do Pará. Mais uma ação positiva, de acordo com Ana Júlia, foi a concessão do maior reajuste salarial dos servidores do Brasil, de 9,8% para trabalhadores de nível médio e superior.

PAC – Ana Júlia Carepa reforçou a proposta de desenvolver o Estado de forma articulada, e declarou total apoio ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Ainda este mês, ela terá audiência com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que coordena as ações do governo federal, para acompanhar as propostas que dotarão o Pará e o Brasil da infra-estrutura necessária ao desenvolvimento. “Pela primeira vez no país, as regiões Norte e Nordeste foram beneficiadas pelo governo federal. Tanto é que muitas obras importantes que há anos são esperadas pela sociedade paraense irão acontecer. Acredito nas Eclusas de Tucuruí, no asfaltamento da BR-163 e da Transamazônica, na ampliação dos portos de Vila do Conde e de Santarém. Em relação à Usina de Belo Monte, temos que agir como o presidente fez com a BR-163, com um Plano de Desenvolvimento Sustentável”, sugeriu.

Para a governadora, é necessário que os recursos naturais disponíveis no Pará sejam usados de forma mais inteligente, a partir de investimentos em Ciência e Tecnologia, que não foram feitos ao longo de 12 anos. Ela disse, ainda, que na primeira audiência com o novo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, apresentou a proposta de financiamento de um parque tecnológico para deslanchar o processo de diversificação da produção local.

Denúncias na Imprensa Nacional

A mídia nacional resolveu fazer uma assinatura da governadora Ana Júlia Carepa nesse início de governo, de acordo